Blog Da Queda Ao Voo

Voltei: o que seis meses me ensinaram

Olá, meus amores! Eu sei, eu sei… sumi. Seis meses sem dar sinal de vida por aqui. Mas voltei, e com novidade: o blog (que nunca foi só meu, é nosso) ganhou corpo novo e nome novo: Da Queda ao Voo.

Porque eu acredito que o nosso voo mais lindo é sempre o próximo. O de hoje, não o de ontem.

Então pega um café (ou um chá, ou um vinho, sem julgamentos aqui), senta confortável e vem comigo. Tenho muita coisa para te contar. E se nestes últimos meses tu também caíste, levantaste, choraste e riste, talvez te encontres em algum pedacinho desta história.

Seis meses de vida intensa

A minha casa virou quase um hotel, daqueles bons, com abraço incluído no pacote. Recebi a minha dinda (madrinha, para quem não é do Sul), o meu filho, os meus sogros, o meu cunhado, a minha concunhada e o meu sobrinho amado. Eu estava morrendo de saudade, e quem vive longe da família sabe bem o que é essa saudade que aperta.

Passamos dias maravilhosos no Douro. Com a minha dinda, ainda fiz uma verdadeira volta a Portugal, até Caminha. Que viagem linda!

E a agenda? Casamento lindo, festas de aniversário, show do Djavan, show dos Calema, teatro, samba… Tomei vinho, comi bacalhau (estou em Portugal, né? Seria quase um crime não comer) e ri muito.

Também vi pessoas se separando e vi pessoas nascendo. Porque a vida é assim mesmo: não espera ninguém estar pronto.

Fui feliz, chorei, vivi. Tudo junto e misturado.

A lição mais difícil: dizer não

Agora vem a parte que talvez mais te toque. Sabe quando tu dizes “sim” com a boca e “não” com o coração inteiro? Pois é. Eu também já fiz muito isso.

Nestes meses, passei por um processo bem difícil e precisei aprender, na prática, a colocar limites. Eu falo disso o tempo todo nas minhas sessões de mentoria e de terapia, e sempre digo ao Felipe: eu não posso agir diferente do que ensino. Então chegou a minha vez de viver a lição. E, olha, não foi bonito. Tive semanas daquelas de pensar “meu Deus do céu, quando é que isto acaba?”.

Às vezes convivemos com pessoas com traços narcisistas. Isso não quer dizer que não amem; amam, sim. Mas o ego fala tão alto que elas não sabem ouvir um não.

Eu tive que dizer não a pessoas que amo. Tive que me afastar de pessoas que amo. Se tu já passaste por isso, sabes: dói, dá culpa, dá vontade de voltar atrás. Mas uma frase me segurou de pé durante estes seis meses inteiros, e hoje eu deixo ela contigo:

Eu não posso ficar desconfortável para deixar o outro confortável.

Cuidar de mim aos 44

Ah, e uma notícia boa: a balança e eu finalmente fizemos as pazes. Menos 10 quilos! Sim, 10 quilos.

Mas deixa eu te contar o lado que nem sempre aparece nas fotos. Aos 44 anos, a sociedade cobra muito, e cobra ainda mais quando se é mulher. Deveria ser igual para todo mundo, mas não é. Já estamos mais perto da menopausa do que do início da vida, e de repente parece que todo mundo tem uma opinião sobre o nosso corpo, a nossa pele, o nosso cabelo.

No meu caso, foi muito mais uma questão de saúde do que de estética. Os meus índices estavam lá em cima e o corpo pediu socorro. E sabes o que descobri? Autocuidado não é vaidade, é respeito por quem a gente é. Nesse processo, fui entendendo a vida de uma maneira muito diferente.

Uma nova fase no trabalho

Também entrei numa transição de carreira. Hoje me dedico muito mais às mentorias e às terapias do que aos atendimentos de tarô.

Mas calma, que o tarô não foi para a gaveta! Só mudou de lugar. Levo as minhas cartas e os meus astros, literalmente, para a mesa de terapia e de mentoria, e isso me ajuda muito.

E há mais uma conquista a caminho: estou quase, quase com a minha carteirinha oficial de psicanalista. O meu mestrado em Psicanálise está ali, só à espera do carimbo oficial que me torna mestre. Já estou praticamente a contar os dias!

Nesse caminho, consegui entender a minha essência: quem eu sou e o que quero para a minha vida. E aprendi, mais uma vez, que ter ao lado quem te apoia de verdade faz toda a diferença. Ninguém voa sozinho.

Saber o que eu não quero

Se eu tivesse que escolher a maior descoberta destes meses, seria esta: entendi o que eu não quero para a minha vida.

E hoje acredito que isso é ainda mais importante do que saber o que queremos. Muita gente trava porque não sabe exatamente o que quer, e está tudo bem. Começa pelo outro lado.

Imagina um arco-íris. Se eu sei que não quero o amarelo, olha que maravilha: ainda tenho todas as outras cores para escolher! Saber o que não queremos não fecha portas, abre o caminho.

E tu, qual é o “amarelo” que já não cabe na tua vida?

Reflexão final

Olhando para trás, percebo que estes seis meses foram feitos de quedas e de voos ao mesmo tempo. A mesma semana que me trouxe um abraço de quem eu amo também me pediu coragem para dizer não. E uma coisa não anula a outra: é justamente por amar, e por nos amarmos, que precisamos de limites.

Se tu estás numa fase de queda agora, quero que saibas: não estás atrasado nem atrasada, não estás a falhar. Estás só a meio da travessia. E ninguém voa carregando o peso das expectativas de todo mundo. Para voar, é preciso soltar: a culpa, o que não nos pertence, a versão de nós que vivia para agradar.

Por isso te deixo um convite carinhoso: olha para dentro. Dá a ti a permissão de escolher todas as outras cores. Sê feliz, acredita sempre em ti e nunca carregues culpa por dizer não.

“Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta.”, Carl Gustav Jung

Com carinho, e até o próximo voo.

Beijo!